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“Ramos do seu Desfeito”

  • Foto do escritor: Expressate AESL
    Expressate AESL
  • há 7 dias
  • 1 min de leitura

“Ramos do seu Desfeito”

No campo onde o vento reza

e o silêncio guarda segredos antigos,

caminhava um homem de fé profunda,

um coração dobrado em joelhos,

uma alma erguida em orações.

 

Certo dia, encontrou uma árvore vermelha,

rubra como sangue ao sol nascente,

ardejante como chama proibida.

Ele tremeu.

— Isto não é de Deus, murmurou.

E fez do medo o seu credo.


 

Empunhou o machado da pureza,

ergueu-o contra o tronco pulsante

e cada golpe ecoava como um salmo torto,

uma prece de aço e desespero.

A seiva escorria espessa, viva,

como se a própria terra sangrasse.

 

Meses passaram.

Anos se arrastaram.

E o homem, fiel ao exorcismo que imaginava,

cortava a árvore que nunca tombava,

pois cada golpe feria não a madeira,

mas o peito que a sustentava.

 

Só então, ao último golpe,

quando o tronco, enfim, cedeu,

o homem caiu com ele

e percebeu tarde de mais

que a árvore vermelha

não vinha do inferno —

era o seu próprio coração,

cultivado em silêncio,

mutilado em devoção.

 

E ali, entre folhas carmim,

o fiel encontrou o fim

que, por tanto tempo, esculpira

com as próprias mãos.

 

 

Tiago Carvalho, 8.ºB



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