Os Maias
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Os Maias, de Eça de Queirós, é um romance que prova que, no século XIX, já havia dramas familiares dignos de novela — só que com frases muito bem escritas. A história gira à volta da família Maia, especialmente de Carlos da Maia, um jovem elegante, inteligente e cheio de potencial… que acaba por não fazer grande coisa.
Afonso da Maia, o avô, é a personagem mais sensata do livro, o que é curioso, porque parece ser o único que percebe que aquela família está destinada à desgraça. Carlos, por sua vez, passa o tempo entre consultas médicas que quase não pratica, jantares longuíssimos, conversas filosóficas e passeios por Lisboa, sempre acompanhado do seu fiel amigo, João da Ega, especialista em grandes ideias e em não concretizar nenhuma.
Quando Carlos se apaixona por Maria Eduarda, tudo parece correr bem: há amor, luxo, encontros românticos e muita ilusão. O problema surge quando se descobre que ela é, afinal, sua irmã. A partir daí, o romance passa de história de amor para uma tragédia familiar, deixando claro que, n’ Os Maias, nada acaba bem.
Ao longo da obra, Eça aproveita para criticar a sociedade portuguesa da época, mostrando uma elite preguiçosa, preocupada com aparências, discursos políticos vazios e muita conversa de café. No fundo, todos falam muito, mas ninguém faz nada — o que torna a crítica surpreendentemente atual.
Assim, Os Maias é uma obra que mistura humor, ironia e crítica social, demonstrando que Eça de Queirós sabia rir-se da sociedade portuguesa… enquanto a analisava ao detalhe.
11.ºH



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