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«Cartas a Sandra»

Cartas a Sandra é uma obra póstuma de Vergílio Ferreira que, segundo consta, morreu quando escrevia este livro. Por isso, quem o adquirir vai notar que, mesmo a última palavra, se encontra incompleta, precisamente no dia em que se sepultava o irmão do autor a cujo funeral não conseguiu ir.

Trata-se de uma longa carta de amor composta por 10 missivas de Paulo para Sandra (a última está incompleta por a morte o ter arrebatado, enquanto escrevia, como já se referiu): «Em tanto lugar eu poderia lembrar-te. Mas volto sempre ao começo da irradiação de ti. Há assim um pacto obscuro entre tudo o que foste até à morte e a eternidade da tua juventude. Porque é lá que tu moras, no incorruptível, no intocável do teu ser, na perfeição que um deus achou enfim perfeita quando te entregou à vida para existires por ti. Mas como seres jovem e eu conhecer-te, fora da cidade do Sol? da colina desdobrada à sua luz? do espaço de um acorde de guitarra a toda a volta no ar? É bom poder dizer-te quanto te lembro aí.»


Segundo as palavras de Eduardo Lourenço, «nós só temos uma clara vivência desse tempo eterno em termos de ficção, quando acabamos todo o percurso e, na luz da sua última versão, que é a versão de todas as versões, aquela em que está implícita nas Cartas a Sandra. Nelas – agora é que é exato um dos títulos dos seus primeiros romances ‘onde tudo foi morrendo’ –  é que tudo morreu. Tudo morreu, mas essa morte é a condição da última transfiguração, aquela, definitiva, que já nem pela memória pode ser recuperada.»



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